DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

15/05/2015

cartaz-dmc-2015

No domingo, dia 17 de maio, a Igreja Católica celebrará o Dia Mundial das Comunicações Sociais. E neste ano, a família é o tema central da mensagem do Papa Francisco escrita para este dia.

Com o evento quer-se refletir sobre a comunicação na família, que é ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor’. A temática foi escolhida no contexto do Sínodo dos Bispos sobre a família.

“Considerei oportuno que o tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais tivesse como ponto de referência a família. Aliás, a família é o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar. Voltar a este momento originário pode-nos ajudar a querer tornar mais autêntica e humana a comunicação, querer ver a família de um novo ponto de vista”, assinalou o Santo Padre.

Francisco, em sua mensagem, sublinha diversos aspectos que envolvem a comunicação e a família. Entre elas a de que na experiência familiar é que os filhos aprendem a oração, “forma fundamental de comunicação”. “A maioria de nós aprendeu, em família, a dimensão religiosa da comunicação, que, no cristianismo, é toda impregnada de amor, o amor de Deus que se dá a nós e que nós oferecemos aos outros” destacou o Papa Francisco no texto.

A mensagem para este dia, desafia e incentiva as famílias cristãs a não ficarem fechadas em si próprias, mas a “sair, ir ter com o outro”. “As famílias que assim procedem podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança às famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias”.

Citando as limitações que enfrentam as famílias, o Papa lembrou que “não existe a família perfeita” e que é preciso enfrentar os desafios de “forma construtiva”. Nesse contexto destaca-se o perdão como “dinâmica de comunicação”.

O Pontífice defende ainda uma educação para o pluralismo, no interior de cada família: “Uma criança que aprende, em família, a ouvir os outros, a falar de modo respeitoso, expressando o seu ponto de vista sem negar o dos outros, será um construtor de diálogo e reconciliação na sociedade”.

Sobre as influências das novas tecnologias de comunicação, Francisco sustenta que, apesar das novas tecnologias de comunicação poder “dificultar” a comunicação em família, também é verdade que elas podem favorecer, quando “ajudam a narrar e partilhar, a permanecer em contato com os de longe, a agradecer e pedir perdão, a tornar possível sem cessar o encontro”. “Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este ‘início vivo’, saberemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixar arrastar por elas”.

Que a comemoração desse dia ajude a comunicar a família na realidade marcada por tantos novos modos de viver.

Pe. Rafael Uliano Assessor Diocesano da PASCOM

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SEGUNDAS NÚPCIAS (II)

24/04/2015

segunda_uniaoO casal em segunda união distingue-se por procurar sinceramente percorrer um caminho de vida cristã, ou seja, procura amar a Deus em primeiro lugar. Não é aqui, objeto de reflexão uma pessoa que se separou ontem e vinculou-se hoje à outra, formando um casal em “segunda união”. É importante destacar que o conceito de casal em segunda união, em si, caracteriza-se especialmente pelo “casamento civil”.

Na encíclica Familiaris Consortio, em seu nº 82, embora a Igreja não admita o simples casamento civil para os fiéis batizados, o Papa João Paulo II, reconheceu a situação dos divorciados recasados civilmente como uma união diferente daquela dos simples conviventes, sem vínculo algum. O compromisso civil é também largamente aceito pela sociedade, é um vínculo jurídico com deveres de proteção para com o outro cônjuge e filhos. O cardeal Walter Kasper, vê no casamento civil uma consistência real, antropológica, ética e jurídica baseada numa autêntica vontade de casamento. É também opinião dele de que o casamento civil não é absolutamente concubinato, haja vista que possui valores humanos, como a amizade, o amor, a fidelidade, a obrigação de assistência mútua, e a possibilidade de fazer atos válidos diante da sociedade.

A proposta de Kasper, que será analisada pelo próximo Sínodo dos Bispos (outubro de 2014 e 2015) não se refere ao divórcio após a coabitação, mas aqueles que apenas contraíram um casamento civil. O Cardeal alemão propõe que, nesse caso, poderiam ser admitidos à Eucaristia, desde que atendendessem os requisitos posteriormente colocados. Mesmo que apenas civilmente, o casamento gera obrigações: respeito necessário, educação dos filhos na fé cristã, e vivo interesse em receber os sacramentos. Cardeal Kasper apresentou sua proposta como uma mera possibilidade, sem empurrar ou “forçar” com argumentos excessivos. Foi, como o Papa Francisco disse, um exemplo de “teologia serena” muito diferente da teologia dos outros vociferante “ou” permeada de “chantagem teológica”, que normalmente são abundantes sobre este tema.

Assim, considera-se que há uma realidade ambivalente a ser acolhida. Por um lado, é um momento que tem “muito de ‘poder das trevas’, mas que, por outro lado, deve ter muito mais, se acreditamos no Espírito, de ‘kairos do Reino’” no dizer de Pedro Casaldáliga.

Pe. Rafael Uliano

SEGUNDAS NÚPCIAS (I)

17/04/2015

Segunda UniaoDiante da realidade de bastantes casos, na Igreja Católica, de casais em segunda união, e sabendo que em última instância os critérios a ser adotados são os da fé, e não o da mentalidade vigente na sociedade cabe, uma reflexão extramuros.

O exemplo de outra confissão religiosa, sem pretensão alguma de intervir na Igreja Católica Apostólica Romana, se faz na tentativa de buscar respostas e abrir caminhos necessários às questões atuais. Como assegura o Código de Direito Canônico no c. 218 “os que se dedicam ao estudo das ciências sagradas gozam da justa liberdade de pesquisar e de manifestar com prudência o próprio pensamento sobre aquilo em que são peritos, conservando o devido obséquio para com o magistério da Igreja”.

O Cardeal alemão Walter Kasper, membro do Sínodo dos Bispos, de outubro de 2014 a 2015, destacou em entrevista que a doutrina, em si, não pode ser mudada, “a questão é a aplicação na situação concreta”. “A situação mudou muito em nossa sociedade ocidental e surgem novas situações. Agora o sínodo tem que se fazer perguntas”. Não será uma decisão “democrática”, já que “a Igreja não é uma democracia; é fruto de um processo sinodal, que é diferente de uma democracia, porque, no final, quem decide é o papa”.

Assim, cabe dizer que a partir do desejo daqueles que querem fazer um caminho de penitência, tendo em tela a célebre expressão “feliz culpa de Adão, que nos fez merecer tão grande salvação”, e buscam viver uma vida conjugal de modo cristão, mesmo que ainda unidos pelo sacramento do matrimônio a outro cônjuge, após tentativa de declaração de nulidade matrimonial sem sucesso, cabe o conhecimento e o discernimento acerca da prática pastoral católica, a partir do exercício da Igreja Ortodoxa Grega, segundo o autor Andrea Palmieri:

Às vezes, em ambientes católicos romanos diz-se que a Igreja Ortodoxa tolera o divórcio: a afirmação é um tanto gratuita, particularmente numa época em que, falando de divórcio, pensa-se imediatamente na instituição jurídica moderna. Na realidade, a Ortodoxia absolutamente não é “divorcista”: ela assume como próprias as palavras de Jesus a respeito do repúdio (enquanto ato unilateral e humano de dissolução de um liame divino). Todavia, como medida de concessão e de bondade [divinas], baseando-se no fato de que o próprio Cristo permitiu uma exceção (Mt 19,9) à sua rejeição do repúdio, a Igreja ortodoxa está disposta a tolerar as segundas núpcias de pessoas cujo vínculo matrimonial tenha sido dissolvido pela Igreja (não pelo Estado), com base no poder dado à Igreja de ligar e desligar, e concedendo uma segunda oportunidade em alguns casos particulares (especificamente, nos casos de adultério continuado, e, por extensão, também em alguns casos nos quais o vínculo matrimonial se tornou uma ficção). Embora a desaconselhando, prevê-se também a possibilidade de um terceiro matrimônio, ao passo que é sempre proibido um quarto. Além disso, a possibilidade de aceder a segundas núpcias nos casos de dissolução do matrimônio só é concedida ao cônjuge inocente. As segundas (e terceiras) núpcias, diversamente do primeiro matrimônio, são celebradas com um rito especial, de caráter penitencial (cujo princípio é o reconhecimento de uma situação de falência), que contém uma oração de absolvição (a praxe católica romana não prevê um rito litúrgico para as segundas núpcias). Dado que no rito das segundas núpcias faltava antigamente o momento da coroação dos esposos (que a teologia ortodoxa considera o momento essencial do matrimônio), há uma justificação teológica para dizer que as segundas núpcias não são um verdadeiro sacramento, mas, quando muito – conforme uma terminologia latina – um sacramental, que permite aos novos esposos considerarem a própria união como plenamente aceita pela comunidade eclesial. O rito das segundas núpcias se aplica também ao caso de esposos que ficaram viúvos, e isso permite afirmar que a Ortodoxia, em linha de princípio (e diversamente do Catolicismo romano), autoriza só um verdadeiro matrimônio sacramental em toda a vida.

(Continua na próxima postagem....)

ALÔ NOIVOS E NOIVAS…

07/07/2014

         Alguns detalhes são importantes, para serem pensados, antes do casamento. Seguem algumas dicas para você que pensa casar-se na Igreja Católica Apostólica Romana.

A) “Em qual igreja deve acontecer a celebração do meu casamento? Com qual padre?” 

R: Preferencialmente, salvo raras exceções, numa igreja da paróquia de origem de um dos noivos. Procure marcar o casamento e não escolher este ou aquele padre. A experiência mostrou que isso não funciona… O padre que você escolheu, de uma hora para outra, poderá ser transferido e o padre que irá, para a paróquia, poderá já ter outro compromisso assumido para aquele dia e horário. Marque, portanto, o casamento e deixe o padre por conta da paróquia. Se você escolher um padre e ele não puder se fazer presente por algum motivo, a paróquia não tem responsabilidade de providenciar outro. Mas se a paróquia acolheu o seu processo matrimonial, para que o padre da paróquia o assista, daí sim o padre estará “garantido”.

B) Vamos combinar assim: Vocês, noivo e noiva, estarão em frente do altar, para iniciar a Celebração Sacramental do Matrimônio, na hora combinada – sem atrasos. Pode ser?

Com isso se supõe que todas as entradas (testemunhas, pais, daminhas, etc… – que não fazem parte do Rito Litúrgico) acontecerão previamente, de modo que se salvaguarde o horário do início daquilo que é mais importante: A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MATRIMÔNIO.

C) As velhas e conhecidas desculpas:

1. “Ahhh padre, foi no salão de beleza que atrasaram”.

Bom, querida e querido! Exijam horário certo nesses ambientes, caso vocês os utilizem, e estejam na hora marcada EM FRENTE DO ALTAR.

2. “Padre falta uma testemunha. Tá chegando!”.

A Igreja pede que estejam presentes duas testemunhas para que haja a Celebração. Se estiverem duas pessoas (além do padre/diácono e dos noivos na igreja), façam-se as devidas entradas (bem antes do início marcado – para a celebração não atrasar) e inicia-se tudo conforme pede o Rito Litúrgico.

3. “A cerimonialista disse que deveria ser assim”.

A Igreja tem Rito Litúrgico próprio. Logo, siga-se o que a Igreja indica! É indispensável procurar o padre/diácono que irá assistir o matrimônio (sim o ministro assiste um matrimônio – quem celebra são os noivos) com antecedência para combinar a celebração.

Um detalhe: arroz dentro ou na porta da igreja? Pra que? É casamento de chinês? E mais… Quem vai limpar a sujeira depois? Sem falar dos confetes, rosas, etc… No outro dia cedo haverá missa na igreja!

4. “Para música de entrada pensamos ‘My Heart Will Go On’ tema de Titanic”.

Onde já se viu? Celebrar algo tão sublime e elevado, como é o Sacramento do Matrimônio, com a trilha sonora de um filme que mostra um navio afundando? Parece não estar de acordo. Concorda? E mais: em inglês? Quantas pessoas vão entender? E mais ainda: na Igreja são cantadas músicas sacras e não profanas.

D) POR FIM… ATRASOS NUNCA SERÃO BEM VINDOS. PROPORCIONE UMA CELEBRAÇÃO LEVE, SIMPLES E DE ELEVADO SIGNIFICADO – DEMONSTRANDO A TODOS QUE O IMPORTANTE NAQUELE MOMENTO É REZAR.

E) E se for o padre a atrasar? Antes de reclamar, reflita: quantos moços você já incentivou para ser padre? Quantos seminaristas você já ajudou a formar de modo que se tenham mais padres? O padre além do seu casamento naquele dia, possivelmente rezou ou rezará missas (no interior, longe da igreja em que você vai se casar), fez algum enterro, batizou, foi chamado no hospital para dar a unção dos enfermos, atendeu confissões e talvez só tenha almoçado, rapidamente, pois participou de algum programa de rádio ao meio dia.

Pense nisso, antes da celebração do seu casamento. Quanto mais simples, mais bonito!

 

 Pe. Rafael Uliano

DECÁLOGO DO SACERDOTE

17/06/2013

Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote

  1. É mais importante a minha vivência de sacerdote do que as coisas que faço enquanto sacerdote.
  2. É mais importante as coisas que Cristo realiza através de mim do que aquilo que eu faço.
  3. É mais importante que eu viva a unidade no presbitério em vez de lançar-me sozinho com grande empenho no trabalho pastoral.
  4. É mais importante o serviço da oração e da Palavra do que o “Serviço das coisas”.
  5. É mais importante seguir espiritualmente os colaboradores do que fazer eu mesmo e sozinho o maior número de atividades.
  6. É mais importante estar presente em poucos, mas nos centrais setores operativos, com uma presença que irradia vida do que estar em todos os lugares com pressa e pela metade.
  7. É mais importante agir em unidade com os colaboradores do que sozinho, apesar de minhas capacidades; ou seja, é mais importante a comunhão do que a ação.
  8. É mais importante, porque mais fecunda, a cruz, do que os resultados, muitas vezes, aparente, frutos de qualidade e esforços humanos.
  9. É mais importante o íntimo aberto ao conjunto (comunidade, diocese, Igreja Universal) do que preocupado com interesses particulares, mesmo se podem parecer interessantes.
  10. É mais importantes que seja testemunhada a todos a fé do que satisfazer às exigências habituais.

(Klaus Hermmele – Wihelm Breuning)

 

REDES SOCIAIS: PORTAIS DE VERDADE E DE FÉ NOVOS ESPAÇOS DE EVANGELIZAÇÃO

07/05/2013

Dia das Comunicações Sociais
…..
O papa Bento XVI, antes de sua renúncia, dirigiu ao mundo uma mensagem para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que acontece em 12 de maio de 2013. Apresentamos uma pequena síntese da mensagem.

…..O desenvolvimento das redes sociais digitais está contribuindo para a aparição de uma nova ágora, de uma praça pública aberta onde as pessoas partilham idéias, informações, opiniões e, ainda podem ganhar vida, novas relações e formas de comunidade.
…..Esses espaços, diz o papa, quando equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizados com respeito e cuidado, reforçam os laços de unidade entre as pessoas e promovem eficazmente a harmonia da família humana. Os contatos podem amadurecer em amizade e as conexões, facilitar a comunhão. Nesses espaços não se partilham apenas idéias e informações, mas a pessoa comunica-se a si mesma.
…..As redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade, enquanto unem as pessoas. Contudo, colocam também sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva.
…..O desafio que as redes sociais têm de enfrentar é o de serem verdadeiramente abrangentes; então, se beneficiarão da plena participação dos fieis que desejam partilhar a mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana pregados por ele. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade cotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interação humana, mas dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações.
…..A capacidade de utilizar as novas linguagens requer, para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão, que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afetiva; aliás, a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos.
…..A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e relevância da religião no debate público e social. Diz o papa, também, que as redes sociais podem ser um fator de desenvolvimento humano em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados. E ainda, muitas pessoas estão descobrindo, graças a um contato inicial feito on-line, a importância do encontro direto, de experiências de comunidade ou mesmo peregrinações.
…..Tornar o Evangelho presente no ambiente digital é convidar as pessoas a não se isolarem neles, mas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas.

Rafael Uliano

NINGUÉM NASCE PADRE

01/05/2013

Ord Diaconal

…..No dia 14 de março deste ano 2013, um dia após a eleição do Papa Francisco, tive a graça de ter minhas ordenações marcadas, por Dom João Francisco Salm – nosso bispo. A ordenação diaconal ficou para o dia 26 de maio, às 15h na igreja São Francisco de Assis do bairro Monte Castelo em Tubarão, onde desde 2011 faço experiência pastoral. A presbiteral (sacerdotal) acontecerá no dia 31 de agosto, também às 15h na igreja Nosso Senhor do Bom Fim de Braço do Norte, minha cidade natal, onde residem meus pais.
…..
Mas qual a diferença entre o diácono e o padre? Os diáconos têm funções importantes desde a Igreja primitiva e, assim como os padres e também os bispos, recebem o sacramento da Ordem. Entretanto, o diaconado é o primeiro grau do sacramento da Ordem. O presbiterado (padre) é o segundo e o episcopado (bispo) é o terceiro. Pode-se dizer que são três degraus, no mesmo serviço ao Evangelho, mas com funções próprias, diferentes.
…..
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a principal função do diácono é “ajudar e servir”. Na ordenação de um diácono “são-lhes impostas as mãos, não para o sacerdócio, mas, para o serviço”, conforme o Catecismo. Neste caso, apenas o bispo impõe as mãos sobre o ordenando, significando que o diácono está diretamente ligado a ele. Na ordenação presbiteral, além do bispo, todos os padres presentes impõem as mãos sobre o ordenando.
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O diácono tem suas vestes litúrgicas diferentes das dos padres e bispos. A estola é transversal, e não vertical. Também pode usar a dalmática, que é diferente da casula dos padres e bispos. Cabe dizer ainda que existem dois tipo de diáconos: os transitórios e os permanentes. Os transitórios são homens que se preparam para o sacerdócio. No meio do caminho e antes de receberem a ordenação sacerdotal, recebem a ordenação diaconal. Depois de um tempo atuando como “ministros ordenados”, recebem o segundo grau da ordem, o presbiterado. Os permanentes são homens que não estão caminhando rumo ao sacerdócio. Geralmente são homens casados há um bom tempo, com ativa participação nas atividades da Igreja e vocação para as obras sociais e de caridade.
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Todavia, diante disso, cabe dizer que ninguém nasce padre! Há um itinerário a ser percorrido, de discernimento vocacional e preparação humano-afetiva, pastoral-missionária, espiritual e intelectual. São longos anos de formação recebida no seminário, precedida da convivência familiar. No meu caso, fui coroinha dos sete aos quinze anos e em 2001 ingressei no Seminário Nossa Senhora de Fátima em Tubarão, onde cursei o Ensino Médio. No ano 2004 fui para o Seminário Propedêutico Sagrado Coração de Jesus, em São Ludgero, onde com outros dez colegas, fizemos a preparação para o ingresso no chamado seminário maior (Filosofia e Teologia). Durante aquele ano, fiz experiência pastoral na Paróquia São João Batista de Grão Pará. Em 2005 iniciei a graduação em Filosofia na cidade de Brusque, onde os trabalhos pastorais foram desenvolvidos na comunidade Santa Catarina de Alexandria, da Paróquia Santa Teresinha de Brusque. Concluída esta etapa, tive a oportunidade de um ano de estágio pastoral, na Paróquia Santa Otília de Orleans. Em 2009, iniciei a graduação em Teologia em Florianópolis. Ali, foram quatro anos de um profundo debruçar-se sobre o estudo da Fé e tudo aquilo que lhe é inerente. Nos dois primeiros anos fiz experiência pastoral em São Ludgero e nos dois últimos (continuando até agora) na Paróquia São Francisco de Assis de Monte Castelo, em Tubarão. Durante este período final da formação ordinária, tive a oportunidade também de cursar especialização em Direito Matrimonial Canônico, no Rio de Janeiro, no período de férias, bem como fazer uma pequena, porém rica experiência missionária no Estado do Amazonas, durante 30 dias.
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Percebe-se assim, que a trajetória de preparação para o ministério ordenado é longa, mas vale à pena! Ao mesmo tempo em que muito se aprende, muito se percebe também que mais devemos estar abertos ao conhecimento e a formação permanente, como nos pedem as diretrizes para a formação presbiteral da CNBB.
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Agradeço a todos pelas orações, amizade, ensinamentos e colaboração para com os nossos seminários e paróquias. Deus seja louvado por tantos benfeitores que colaboram com nossa Diocese de Tubarão na formação dos futuros padres. Enviai-nos, Senhor! Sacerdotes segundo o vosso coração. A messe é grande, os operários são poucos! Mandai, Senhor, operários para a vossa messe.

Rafael Uliano

O PROBLEMA NÃO É A FALTA DE DEUS, MAS UM EXCESSO DE DEUS.

07/02/2013
Arturo Martini - A Espera

Arturo Martini – A Espera


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O sofrimento faz parte da vida cotidiana de qualquer pessoa. Na vida terrena não é possível erradicar o sofrimento. Os momentos de grande felicidade e paz são raros e breves. Além disso, não há ninguém que possa levar uma vida idílica de serenidade ininterrupta. Paradoxalmente, felicidade requer adversidade, tribulação e sofrimento, para que possa permanecer viçosa e crescer em profundidade. Procurando conhecer as causas do sofrimento, a reflexão dos antigos concluiu que eles tinham sua origem na influência de espíritos malignos, ou de outras forças. Entretanto, não basta conhecer as causas dos sofrimentos para saber como defender-se, como ficar imune, como deixar de sofrer. É necessário saber como reagir diante do sofrimento, como diminuir as causas que o agravam e de como sair dessa situação de maneira positiva.
…..Triste, porém, compreensível, é deparar-se com pessoas em horas de dor, e que se perguntam sobre a existência e o local onde está Deus ou esteve na hora trágica. Pois bem, é de se interrogar, quantas vezes, nos momentos de maior alegria, essas e outras pessoas também, lembram-se de Deus e o invocam como forma de agradecimento por aquilo que estão vivendo. Na maioria das vezes, é quase que instintivo, no ser humano, lembrar-se de Deus às portas do pronto-socorro, ou na hora de um desastre que repercute até internacionalmente.

…..Pelo desespero quase sempre presente, percebe-se que o problema parece não ser a ausência de Deus na vida das pessoas, mas sim um excesso de deus nos momentos de alegria e satisfação: o deus dinheiro, o deus prazer, o deus farra, o deus bebedeira, o deus boate, o deus carro, o deus internet, o deus celular… E quando o deus-supérfluo invade o coração das pessoas, o verdadeiro e supremo Deus, autor vida e da história, fica como que dissolvido, presente pela força de sua onipresença, mas realidade inativa pelo fechamento do coração humano.
…..Qual a receita então para não sofrer tanto na hora da dor? Ela não existe! Entretanto, permitindo e buscando a presença Deus também nos momentos de alegria, e valorizando a presença e a força d`Ele, pode-se aos poucos construir um edifício espiritual, que servirá de apoio e fator constante na diminuição das causas do sofrer humano.
…..Quando se está preparado, o susto é menor ou inexistente! E como preparar-se para as horas de dor que a vida apresenta? Receita pronta também não existe, mas, o exercício através da oração, da caridade, da aproximação com Deus, pode ajudar em muito a preparar-se bem, a firmar-se com segurança pelas estradas da vida. Quanto mais o ser humano se aproxima de Deus, melhor percebe seu tamanho e as Graças que d`Ele provêm. Palavras humanas não confortam suficientemente a dor gerada pela perda de tantas pessoas, de modo especial jovens, como no incêndio na boate Kiss de Santa Maria,RS – como relataram várias pessoas na mídia. Agora, portanto “é hora de silêncio interior, de deixar Cristo falar sua mensagem de amor.”

Rafael Uliano

A RESSURREIÇÃO DA CARNE

01/11/2012


……….
A teologia atual propõe a superação do extremo entre uma ressurreição puramente fisicista e outra meramente espiritual, para se chegar a uma compreensão integral da ressurreição da carne.

……….O fato de uma pessoa ser homem/mulher; sedentário/atleta; branco/negro/amarelo/vermelho interfere no seu “eu”, na sua personalidade! Assim, na morte e ressurreição, esses aspectos serão elevados, glorificados, transformados… O corpo físico, a atividade desenvolvida na vida terrena, a etnia não se farão presentes fisicamente no céu (afinal, o céu não é um lugar físico, não podendo, portanto, dar lugar a “corpos” físicos). Entretanto, os aspectos citados, dentre outros, ressuscitarão, transformados, acompanharão a alma, o espírito, o corpo pneumático.
……….Para São Paulo, “corpo” significa algo diferente de “organismo”, que funciona com particularidades biológicas. Sabe-se que esse organismo, na morte, está definitivamente destinado à decomposição. Nem a ressurreição vai revivificar a matéria transitória; afinal de contas, não se deve imaginar a ressurreição dos mortos “materialmente”. Deus dá, na ressurreição, um “corpo pneumático” totalmente modificado, efetivado pelo Espírito Santo. “Semeado corruptível, ressuscita-se incorruptível; semeado desprezível, ressuscita-se glorioso; semeado na fraqueza, ressuscita-se cheio de força; semeado corpo terreno, ressuscita corpo pneumático (1Cor 15,42-44).
……….Para melhor compreender o “corpo pneumático”, a comparação com a Eucaristia é bastante rica. Quando Jesus diz, “tomai, comei, isto é meu corpo que é dado por vós”, “corpo” representa a pessoa inteira de Jesus, toda a sua vida e morte a serviço do Reino de Deus. Jesus não dá para comer literalmente sua carne terreno-corporal (com pele e ossos). Ele entrega, no pão partido e no vinho distribuído, seu sacrifício de vida aceito por Deus, seu amor que se esbanja até a morte para a salvação de todos. Este é seu “corpo vivo”, acolhido na vida eterna de Deus e transformado, é seu “corpo pneumático”, o corpo da ressurreição do qual também todos farão parte.
……….Por experiência se conhece apenas um corpo que é, ao mesmo tempo, concebido organicamente. A promessa bíblica da ressurreição dos mortos conta abertamente com a possibilidade de nem toda forma de “corporalidade” significar ao mesmo tempo “organicidade”. Quando se vê o rosto enrugado de um idoso, se reconhece aí muito mais do que uma forma determinada de pele, carne e ossos. Reflete-se, ali também, muita coisa da história daquela pessoa, com todo seu fardo e prazer. Isso faz perceber que o “corpo” é mais do que um organismo biológico. É desse corpo que se trata na Eucaristia e na ressurreição dos mortos, e não simplesmente do substrato biológico do organismo, que, contudo não é omitido aí de modo nenhum.
……….É o caso, então, que haverá um corpo não-orgânico (pneumático) depois da morte, por que ele, então, é designado com a palavra “corpo”, que normalmente designa também o “organismo”? Uma resposta bastante plausível seria a que esse homem consumado é também chamado “corpo” pela tradição bíblico-eclesial por causa da ressurreição dos mortos que ocorre pela permanente vinculação do homem com a vida terrena, com seu organismo terreno que deve ser salientado e mantido.
……….O conceito “alma” circunscreve mais a “abertura a Deus” no homem; o conceito “corpo”, mais sua “vinculação à terra”. Ambos, porém, aplicam-se à pessoa. Por essa razão, Jesus ressuscitou da morte também corporalmente; ou seja, ele mesmo, com toda a sua história de vida, com tudo o que ele fez e sofreu. A comunicação do amor de Deus por parte de Jesus se deu de modo corporal em sua palavra libertadora, sua ação salvífica, sua morte redentora. Isso tudo é conservado em seu corpo de ressurreição e levado junto para a vida em Deus, dando-se ao “corpo de Cristo”, consumado no céu, sua forma irrevogavelmente vinculada à terra. Essa corporalidade consumada de Jesus e dos outros mortos já não é a mesma dessa vida terrena, mas ela suprassume em si (como “memória” da vida vivida na terra) tudo da corporalidade transitória que é significativo para a salvação definitiva, para a consumação do “corpo e alma”.

Rafael Uliano

MISSÃO QUE NASCE NA FAMÍLIA: FAZER BRILHAR A PALAVRA DA VERDADE

26/10/2012

……O mês das missões, deste ano, está repleto de significados. A recordação do 50º aniversário do Decreto conciliar Ad gentes que trata da atividade missionária da Igreja, a abertura do Ano da Fé proclamado pelo papa Bento XVI e o Sínodo dos Bispos, sobre o tema da nova evangelização, contribuem para reafirmar a vontade da Igreja de empenhar-se com maior coragem e ardor na missão além fronteiras, para que o Evangelho chegue até os extremos confins da terra. “Os homens que esperam Cristo ainda são numerosos… Não podemos ficar tranquilos, pensando nos milhões de nossos irmãos e irmãs que vivem sem conhecer o amor de Deus”. A missão é necessária e urgente!
……O papa Bento XVI, ao inaugurar o Ano da Fé, afirmou que o Senhor “envia-nos nas ruas do mundo para proclamar o Seu Evangelho a todos os povos da terra” (Carta apostólica Porta Fidei, n. 7). Este é um dever que a Igreja recebeu de Jesus Cristo “a fim de que as pessoas possam crer e serem salvas”.
……Precisamos voltar ao mesmo zelo apostólico das primeiras comunidades cristãs que, mesmo pequenas e indefesas, foram capazes, com o anúncio e o testemunho, de difundir o Evangelho em todo o mundo então conhecido.
……Como São Paulo, devemos ser atentos aos afastados, àqueles que não conhecem ainda Cristo ou, hoje, d’Ele se afastaram, não experimentando a misericórdia do Pai revelada pelo Filho. Será importante celebrar-se frutuosamente o Ano da Fé, pois este ajudará na configuração e re-encantamento com Cristo.
……O anúncio se faz caridade. “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!”, diz o apóstolo Paulo. Estas palavras ressoam com força para cada cristão e para cada comunidade cristã em todos os lugares.
……São muitos os sacerdotes, religiosos, do mundo inteiro, muitos leigos e até mesmo famílias inteiras que deixam os próprios países, as próprias comunidades locais, e vão para outras realidades para testemunhar e proclamar o Nome de Cristo, no qual a humanidade encontra a salvação.
……Ser missionário, através dos Grupos de Famílias, por meio dos encontros que ao longo do ano, é deixar-se também capacitar para a inserção nos diferentes segmentos pastorais e, através deles, dinamizar a vida da Igreja e, ainda, impregnar de Deus a sociedade através da presença da Igreja, povo de Deus, na família, na escola, no trabalho, no lazer…

Rafael Uliano