SEXUALIDADE E GENITALIDADE

 

Honthorst - O Dueto

               Parece comum ainda, pensar que a sexualidade nada tenha a ver com a pessoa como um todo: seus sentimentos, motivações, disposições… Ou seja, quando se fala em sexualidade, pensa-se quase que com exclusividade na genitalidade. 

                Os jovens de hoje têm mais acesso à reflexão desses temas, se comparados aos jovens de outrora. Contudo, é na família que se deve conversar de maneira muito sincera sobre esses assuntos. Uma pena: a maioria dos pais não tem coragem. Os filhos, acanhados pela falta de atitude dos pais (talvez pelo tipo de formação que receberam) evitam também qualquer rumo de discussão nesse campo. É necessário que o jovem conheça seus limites, pois vive permeado de possibilidades antes não experimentadas e as possibilidades de risco são grandes. 

                No intuito de ajudar a entender melhor este complexo panorama humano é importante diferenciar corretamente as fronteiras da sexualidade e da genitalidade – parâmetros da pessoa humana, mal delimitados e vividos hoje. 

               “Nem o espírito ama sozinho, nem o corpo: é o homem, a pessoa, que ama como criatura unitária, de que fazem parte o corpo e a alma. Somente quando ambos se fundem verdadeiramente numa unidade, é que o homem se torna plenamente ele próprio. Só deste modo é que o amor — o eros — pode amadurecer até à sua verdadeira grandeza” (Bento XVI – Deus Caritas est). O Papa, desde o início de seu pontificado (2005) deixou claro que é preciso remar contra a maré, neste vasto oceano que envolve a pessoa humana: genitalidade e sexualidade. Seu desejo é que um maior número possível de pessoas possam realmente viver o amor cristão, e disto depende também o ordenamento de muitas realidades humanas, uma delas, a sexualidade – propondo um modo de vivência exemplar na cultura em que estamos inseridos. 

               É preciso saber viver a genitalidade na sexualidade, pois ambas, devido à força do impulso sexual presente na pessoa humana, podem causar danos à pessoa. Diz Robert Winston, autor do documentário “Instinto Humano” da BBC, que de todos os instintos humanos, o que fala mais alto é o sexo. Muitas das atividades humanas, diz a ciência moderna, estão conectadas com o sexo e a reprodução, mesmo que não se perceba facilmente. Os instintos reprodutivo (para manutenção da espécie) e vital (pela sobrevivência) afloram constantemente na vida de cada pessoa. 

               A sexualidade bem orientada se torna energia e traz felicidade; mas se usada de forma desequilibrada, desordenada pode gerar muitas lágrimas. É preciso possuir amor, para dar amor: ninguém pode oferecer água à alguém sedento, se apenas possui um copo vazio. Para amar de verdade, é preciso ser livre e não escravo de si mesmo e de suas paixões, e para isso é preciso conhecer-se, sabendo que em tudo isso está diretamente envolvida a sexualidade. 

               Infelizmente, a maioria dos dicionários da língua portuguesa apresentam a sexualidade como sendo a exteriorização mais dissolvida em conceitos acerca da genitalidade, que corresponde ao aparelho sexual reprodutor masculino ou feminino dos seres humanos ou dos animais. A sexualidade é um elemento básico da personalidade, um modo próprio de ser, de se manifestar, de se comunicar com os outros, de sentir, expressar e viver o amor humano. A sexualidade humana é especificamente distinta da sexualidade animal, invadindo tudo na pessoa: a psicologia, as relações humanas, a personalidade em todas as fases da vida. Dentro de um contexto mais amplo, pode-se considerar que a sexualidade permeia todas as manifestações humanas, do nascimento até a morte. 

               É importante que toda reflexão sobre a sexualidade seja elaborada a partir de uma concepção integral da pessoa. Toda atividade, conduta, sentimento e emoção estão impregnados pela sexualidade que não pode confundir-se com os órgãos sexuais, muito menos com o ato sexual em si. 

               Deus fala… A Palavra orienta… Prestar atenção àquilo que a Igreja propõe como caminho de uma boa vivência humana e cristã é uma ótima proposta para ouvir Deus e seguir seus ensinamentos através de sua palavra! 

Rafael Uliano

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Uma resposta to “SEXUALIDADE E GENITALIDADE”

  1. Renata Ferreira Bonincenha Says:

    Que lindo é viver corretamente nossa sexualidade. Esse dom de Deus hoje, infelizmente, tem seu significado distorcido pela sociedade. Dom capaz de nos levar para o Céu seja através do matrimônio ou da castidade consagrada a Deus. Parabéns pelo texto, pelo blog. Evangelizar é preciso! Um abraço da sua colega da Pós. Deus abençoe!

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