AS MOTIVAÇÕES PARA O ECUMENISMO HOJE…

Conferência Missionária Mundial de 1910, em Edimburg, início do ecumenismo moderno

          Inspirado no Evangelho de São João (17, 21) “que todos sejam um”, como motivação, parte-se do princípio de que o ecumenismo é, antes de mais nada, uma atitude de fé: sem fé não há uma prática ecumênica consistente. E mais, só existe busca de reconciliação onde existe desarmonia. Trata-se de um movimento de originalidade sem precedentes, que nasce como um fenômeno social (na base) fazendo com que a Igreja saia de seus limites institucionais. Depois, apresenta-se numa fase de institucionalização, onde entram as lideranças eclesiásticas, os teólogos (anteriormente vislumbrava-se pura e simplesmente uma aspiração de base). O efeito a que se chegou hoje, de institucionalização, talvez não expresse o desejo dos pioneiros do movimento ecumênico, mas configura o ecumenismo hoje, pois houve desvinculação da carga utópica e social e limitou-se a conflitos eclesiais.
          Muito sinteticamente, pode-se dizer que houve uma evolução semântica do termo ecumenismo: do eclesiástico, do político, passa-se à unidade dos cristãos.
          Para que aconteça o ecumenismo, hodiernamente são necessárias três atitudes motivacionais fundamentais e também de conversão: a) do coração (ecumenismo da caridade); b) da inteligência (diálogo doutrinal); c) confessional (atos eclesiais de reconciliação).
          Ser ecumênico não é ser um expositor de idéias, trata-se de um espírito dialogal (interpretação de si e escuta do outro), da formação de uma cosmovisão ética, formando uma vida de comunhão. Como católicos, é necessário que sejamos cristãos-católicos-ecumênicos e não cristãos, católicos e ecumênicos.
          Pode-se dizer que é urgente, hoje, para que aconteça um verdadeiro diálogo (caminhar juntos na verdade), convicção acerca dele (serviço à Igreja para que realize sua natureza de comunhão), conhecer a história e a doutrina dos irmãos na fé em outras Igrejas, rever o pensamento teológico, a espiritualidade, a ação pastoral, estar em sintonia com o movimento ecumênico…
          Navegando pela história, percebem-se dificuldades de longas datas. A primeira grande divisão, segundo HORTAL (1989), foi no século V, quando os Patriarcados de Alexandria, Antioquia e Jerusalém não aceitaram as decisões do Concílio de Calcedônia (451) e formaram o cisma monofisita.  Depois, no século IX, a crise do Patriarca Fócio aparece quando ele, junto com os teólogos, se opõe à inclusão do Filioque no Credo e, principalmente, rejeitando a interferência romana na eleição patriarcal, causando ruptura. No ano 1054, se dá a ruptura definitiva entre as Igreja do oriente e do ocidente. Essa se deu, basicamente, por diferença na autoridade. Num gesto bastante marcante, no encontro em 1965 Paulo VI e Atenágoras I de Constantinopla retiraram as sentenças de excomunhão.
          Passos significativos foram sendo dados ao longo da história: reflexão teológica, espiritualidade e organismos fizeram com que o Concílio Vaticano II emanasse o Decreto “Unitatis Redintegratio” (1964) que traça caminhos de como fazer o ecumenismo (renovação, oração, conhecimento mútuo, formação, modos de exprimir a doutrina, cooperação…) católico.
          Hoje, segundo WOLFF (2002), o ecumenismo no Brasil é fato e alguns resultados já são colhidos, como o reconhecimento entre as Igrejas em diálogo, se reconhecendo como rosto de irmãos. São diferentes, mas da família cristã. A fraternidade foi reencontrada e também o respeito mútuo, voltando-se a valorizar o outro. Também o reconhecimento mútuo do batismo demonstra fortemente a convergência na doutrina cristã entre as Igrejas. Destacam-se também como frutos a espiritualidade comum entre as Igrejas e o mútuo apreço entre as lideranças maiores dessas.
          Por fim, vale dizer aquilo que já fora afirmado por Nathan Söderblom, Presidente do Conselho Mundial de Igrejas: “A doutrina divide, a ação une”. Da mesma forma, relembrar o episódio de 1949, quando Pio XII rejeitou um convite, mas depois, o Santo Ofício publicou a Instrução De Motione Oecumenica, destacando que o Movimento (dinamismo) Ecumênico é fruto do Espírito Santo, ou seja, é também uma necessidade da Igreja e não gosto ou opção pessoal.

Rafael Uliano

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