EUCARISTIA E TRANSFIGURAÇÃO DA VIDA

Última Ceia - Rosselli

          Diante da agitação cotidiana as pessoas sentem-se, muitas vezes, como dentro de um “balaio de gatos”, parafraseando o dito popular. Por quê? Por que tantas coisas angustiam o ser humano pós-moderno? Seria o Criador revoltando-se contra a criatura e deixando-a indisposta?
          Uma análise possível situa-se no fato de parecer que os grandes problemas que se enfrentam são resultado, muitas vezes, da ausência, da carência, da deficiência da oração pessoal; oração desatenta, por vezes, dado o fato de não se saber como rezar eficazmente.
          É comum ouvir que muitos sentem dificuldades em pedir ao Pai a sua graça, a sua bênção, a sua presença; ou, claro, é comum não se dispor de um método para rezar. E essa deveria ser a parte mais familiar do cotidiano humano em relação a Deus. Através do sacramento da Eucaristia os cristãos-católicos são convidados a se colocarem diante de Deus como oferenda agradável para a grande transformação da vida, mudando o ser e o viver.
          Dentro da celebração da Santa Missa, no momento da liturgia Eucarística, quando o presidente da celebração em nome de toda a assembléia apresenta o pão e o vinho a Deus, como oferta que será verdadeira carne e verdadeiro sangue de Cristo – todos são convidados a depositar, na patena e no cálice, as dificuldades suas e de todo o povo de Deus. Essa oferta a Deus também irá se transfigurar: a Eucaristia é transfiguração. Os problemas podem ser transpostos em alegrias, o ódio em amor, a discórdia em união, as ofensas em perdão, as dúvidas em certezas, todo desespero em esperança, desde que, verdadeira e gratuitamente, tudo seja colocado como oferta ao Senhor.
          Depois dessa grande transfiguração, que é também uma atitude de mudança de vida, da conversão dos males em bem, da conversão pessoal, aproxima-se o momento de se recolher todos os pedidos e agradecimentos dirigidos a Deus com a oração que o próprio Cristo ensinou, o Pai-Nosso. Esta, proposta e iniciada por quem preside a celebração, vive uma carência: a parte mais bonita da oração, que é chamar Deus de Pai, não é pronunciada por todos!
          Ao comungar o Corpo e o Sangue de Cristo, na Eucaristia, comunguemos também todas as coisas boas que foram convertidas pela força do Altíssimo e participação humana. Dessa maneira todos são convidados a participar fiel, santa e devotamente da celebração Eucarística: momento de transformação, mudança pessoal e também comunitária. Muitas pessoas ainda não descobriram o verdadeiro sentido da Eucaristia, ainda não entenderam o projeto de Jesus. Por isso alguém já teve o trabalho de escrever um livro que leva o seguinte título: “A missa me dá tédio”.
          A Missa constitui a oração cristã por excelência. Contudo, a espiritualidade cristã também se alimenta dos Sacramentos e de outras formas de oração comunitária ou individual, sejam elas tradicionais ou novas.

Rafael Uliano

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