A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA – I

         

Tabgha - igreja da multiplicação dos pães, símbolo da Eucaristia

          Em Roma, no dia 17 de abril, Quinta-feira Santa do ano 2003, o papa João Paulo II publicou a carta encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA (a Igreja vive da Eucaristia). Nesta, o Papa fala longamente sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja.
          Logo na introdução é dito que a Igreja vive da Eucaristia. Jesus mesmo afirmou: “eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20).
          O Concílio Vaticano II afirmou que o sacrifício eucarístico é “fonte e centro de toda a vida cristã”. “Na santíssima Eucaristia, está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo, a nossa Páscoa e o Pão vivo que dá aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Espírito Santo”.
          O Cenáculo é o lugar da instituição deste santíssimo sacramento. Foi lá que Jesus tomou nas suas mãos o pão, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Tomai, todos, e comei: Isto é o meu Corpo que será entregue por vós” (cf. Mt 26, 26; Lc 22, 19; 1 Cor 11, 24). Tomou nas suas mãos o cálice com vinho e disse: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados” (cf. Mc 14, 24; Lc 22, 20; 1 Cor 11, 25).
          Teriam os Apóstolos entendido o significado das palavras saídas dos lábios de Cristo? Talvez não. Aquelas palavras seriam esclarecidas plenamente só no fim do Sacro Tríduo (da tarde de Quinta-feira Santa até a manhã do Domingo de Páscoa). Nestes dias, está contido o mistério pascal; neles está incluído também o mistério eucarístico.
          Do mistério pascal nasce a Igreja, por isso, a Eucaristia está colocada no centro da vida eclesial. Dois mil anos depois continua-se a realizar aquela imagem primordial da Igreja. E a instituição da Eucaristia antecipava, sacramentalmente, os acontecimentos que teriam lugar pouco depois, a começar da agonia no Getsêmani. 
           A agonia no Getsêmani foi o prelúdio da agonia na cruz de Sexta-feira Santa. Quando se celebra a Eucaristia na basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, volta-se de modo quase palpável à “hora” de Jesus, a hora da cruz e da glorificação.
          Quando o sacerdote pronuncia ou canta estas palavras: “Eis o mistério da fé”, os presentes aclamam: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!” Com estas palavras ou outras semelhantes, a Igreja, ao mesmo tempo que apresenta Cristo no mistério da sua Paixão, revela também o seu próprio mistério: Ecclesia de Eucharistia. Se é com o dom do Espírito Santo, no Pentecostes, que a Igreja nasce e se encaminha pelas estradas do mundo, um momento decisivo da sua formação foi certamente a instituição da Eucaristia no Cenáculo.
        Há, no evento pascal e na Eucaristia, uma “capacidade” imensa, na qual está contida a história inteira, enquanto destinatária da graça da redenção. Este enlevo deve invadir sempre a assembléia eclesial, deve inundar o ministro [ordinário] da Eucaristia, é ele, com o poder que lhe vem de Cristo, do Cenáculo, que pronuncia: “Isto é o meu Corpo que será entregue por vós”; “este é o cálice do meu Sangue, […] que será derramado por vós”. O sacerdote coloca a sua boca e a sua voz à disposição d’Aquele que as pronunciou no Cenáculo e quis que fossem repetidas de geração em geração por todos aqueles que, na Igreja, participam ministerialmente do seu sacerdócio.
          Contemplar Cristo implica saber reconhecê-lo onde quer que ele se manifeste, com as suas diversas presenças, mas, sobretudo no sacramento vivo do seu corpo e do seu sangue. A Igreja vive de Jesus eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é iluminada.
          O cenário tão variado das celebrações eucarísticas faz experimentar intensamente o seu caráter universal e, por assim dizer, cósmico. Sim, cósmico! Porque, mesmo quando tem lugar no pequeno altar duma igreja da aldeia, a Eucaristia é sempre celebrada, de certo modo, sobre o altar do mundo. Une o céu e a terra. Abraça e impregna toda a criação. Verdadeiramente, este é o mistério da fé que se realiza na Eucaristia: o mundo saído das mãos de Deus criador volta a Ele redimido por Cristo.

(continua na próxima semana)

Síntese: Rafael Uliano

Anúncios

Uma resposta to “A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA – I”

  1. André Luiz Says:

    Olá caríssimo Uliano ! Hoje passo pelo teu blog pra te deixar meus parabéns. Há um ano vc tomou a bela iniciativa de começar esse trabalho e vimos que vc está seguindo com essa construção, sem deixa-la inacabada. Parabéns por sua sabedoria, perseverança e fidelidade. Continue lançando as redes, continue lançando mão de tudo aquilo que for possível para que as pessoas conheçam a Boa Nova de Jesus Cristo e por Ele se apaixonem cada vez mais…Fraterno abraço. André Massaro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: