A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA – II

Catacumba de São Calixto, em Roma, com os símbolos da Eucaristia

……….No primeiro capítulo da carta encíclica, o papa João Paulo II fala da Eucaristia dentro do grande âmbito do mistério da fé. Inaugura a reflexão dizendo que “na noite em que foi entregue” (1 Cor 11, 23), Jesus instituiu o sacrifício eucarístico do seu corpo e sangue. Trata-se do sacrifício da cruz que se perpetua através dos séculos. Ao instituí-lo, Jesus não se limitou a dizer “isto é o meu corpo”, “isto é o meu sangue”, mas acrescenta: “entregue por vós (…) derramado por vós” (Lc 22, 19-20). Não se pode cair dum dualismo, mas deve-se manter a unidade do sacrifício: “O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício”.
……….A Missa torna presente o sacrifício da cruz; não é mais um, nem o multiplica. O que se repete é a celebração memorial, a “exposição memorial” de modo que o único e definitivo sacrifício redentor de Cristo se atualiza incessantemente no tempo. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-se “pão da vida” (Jo 6, 35.48), “pão vivo” (Jo 6, 51), na Eucaristia.
……….“Chama-se “real”, não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem “reais”, mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem”. A Eucaristia é mistério da fé, mistério que supera os nossos pensamentos.
……….“Toda a explicação teológica que queira penetrar de algum modo neste mistério, para estar de acordo com a fé católica deve assegurar que na sua realidade objetiva, independentemente do nosso entendimento, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de modo que a partir desse momento são o corpo e o sangue adoráveis do Senhor Jesus que estão realmente presentes diante de nós sob as espécies sacramentais do pão e do vinho”.
……….A eficácia salvífica do sacrifício realiza-se plenamente na comunhão, ao se receber o corpo e o sangue do Senhor. O sacrifício eucarístico está particularmente orientado para a união íntima dos fiéis com Cristo através da comunhão.
……….A Eucaristia é tensão para a meta, antegozo da alegria plena prometida por Cristo (cf. Jo 15, 11); de certa forma, é antecipação do Paraíso. Quem se alimenta de Cristo na Eucaristia não precisa esperar o Além para receber a vida eterna: já a possui na terra, como primícias da plenitude futura, que envolverá o homem na sua totalidade. Pela Eucaristia, assimila-se o “segredo” da ressurreição. Por isso, S. Inácio de Antioquia justamente definia o Pão eucarístico como “remédio de imortalidade, antídoto para não morrer”, e os católicos em cada celebração proclamam “Vinde, Senhor Jesus”.
……….No segundo capítulo, que tem como título A Eucaristia edifica a Igreja, a reflexão gira em torno do fato de que a incorporação em Cristo, realizada pelo Batismo, renova-se e consolida-se continuamente através da participação no sacrifício eucarístico, sobretudo na sua forma plena que é a comunhão sacramental. Pode-se dizer não só que cada um recebe Cristo, mas também que Cristo recebe cada um que comunga. Ele intensifica a sua amizade na pessoa humana. Na comunhão eucarística, realiza-se de modo sublime a inabitação mútua de Cristo e do discípulo: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós” (Jo 15, 4).
……….A Eucaristia apresenta-se como fonte e simultaneamente vértice de toda a evangelização, porque o seu fim é a comunhão dos homens com Cristo e, n’Ele, com o Pai e com o Espírito Santo.
……….Pela comunhão do corpo de Cristo, a Igreja consegue cada vez mais profundamente ser, “em Cristo, como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”.
……….O culto prestado à Eucaristia fora da Missa é de um valor inestimável na vida da Igreja, e está ligado intimamente com a celebração do sacrifício eucarístico. A presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam após a missa destina-se à comunhão, sacramental e espiritual. Compete aos pastores, inclusive pelo testemunho pessoal, estimular o culto eucarístico, de modo particular as exposições do Santíssimo Sacramento e também as visitas de adoração a Cristo presente sob as espécies eucarísticas.
……….É bom demorar-se com Ele e, inclinado sobre o seu peito como o discípulo predileto (cf. Jo 13, 25), deixar-se tocar pelo amor infinito do seu coração.
…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………(continua na próxima semana)

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. Síntese: Rafael Uliano

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Uma resposta to “A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA – II”

  1. Sonia Uliano Bonetti Says:

    Querido Rafael…a cada artigo que leio me emociona muito e me vem a imagem daquele menino curioso e sedento em descobrir e aprender sempre mais.Para você nada era o suficiente ,sempre vinha o por que professora?E para tudo, sempre tinha a complementação, eu li…é assim… e muito mais.Hoje, eu rogo a Deus, para que quando orares fortaleça sua ligação com o todo-poderoso e consolide a presença Dele em sua vida e que acredites cada vez mais que é possível a presença da paz,alegria,equilíbrio,harmonia e do próprio Deus no planeta.
    Um abraço carinhoso de quem torce e se orgulha muito de você!

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