A IGREJA VIVE DA EUCARISTIA – III

Goyo Domínguez - Cristo Eucaristia

          O terceiro capítulo da Carta encíclica sobre a Eucaristia na sua relação com a Igreja, fala da apostolicidade da Eucaristia e da Igreja.
          Entre Eucaristia e Igreja há uma conexão estreitíssima, sendo aplicável ao mistério eucarístico os atributos da Igreja quando se professa, no Símbolo Niceno-Constantinopolitano, que é “una, santa, católica e apostólica”. Também a Eucaristia é una e católica; e é santa, antes, é o Santíssimo Sacramento.
          A Igreja fundada sobre os Apóstolos é possuidora de um tríplice sentido. O primeiro,  que a Igreja “foi e continua a ser construída sobre o alicerce dos Apóstolos” (Ef 2, 20). No caso da Eucaristia, os Apóstolos também estão na sua base: o sacramento remonta ao próprio Cristo, mas foi confiado por Jesus aos Apóstolos e depois transmitido por eles e seus sucessores até o presente momento da história.
          O segundo sentido da apostolicidade da Igreja: ela “guarda e transmite, com a ajuda do Espírito Santo que nela habita, a doutrina, o bom depósito, as sãs palavras recebidas dos Apóstolos”. Também neste sentido a Eucaristia é apostólica, porque é celebrada de acordo com a fé dos Apóstolos.
          A Igreja é apostólica enquanto continua a ser ensinada, santificada e dirigida pelos Apóstolos até o retorno do Senhor. A Eucaristia apresenta também este sentido da apostolicidade: “os fiéis, por sua parte, concorrem para a oblação da Eucaristia, em virtude do seu sacerdócio real”, mas é o sacerdote ministerial que “realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo, e oferece-o a Deus em nome de todo o povo”. Por isso se prescreve no Missal Romano que seja unicamente o sacerdote a recitar a oração eucarística, enquanto o povo se lhe associa com fé e em silêncio.
          A Eucaristia é um dom que supera radicalmente o poder da assembléia e, em todo o caso, é insubstituível para ligar validamente a consagração eucarística ao sacrifício da cruz e à Última Ceia. A assembléia necessita absolutamente de um sacerdote ordenado para presidi-la, para poder ser verdadeiramente uma assembléia eucarística. O fato de o poder de consagrar a Eucaristia ter sido confiado apenas aos Bispos e aos presbíteros não constitui rebaixamento para o resto do povo de Deus, já que na comunhão do único corpo de Cristo, que é a Igreja, este dom redunda em benefício de todos.
          Os fiéis católicos, respeitando as convicções religiosas dos seus irmãos separados, devem abster-se de participar na comunhão distribuída nas suas celebrações, para não dar o seu aval a ambigüidades sobre a natureza da Eucaristia e, conseqüentemente, faltar à sua obrigação de testemunhar com clareza a verdade. Isso acabaria por atrasar o caminho da plena unidade visível. De igual modo, não se pode pensar em substituir a missa do domingo por celebrações ecumênicas da Palavra, encontros de oração comum com cristãos pertencentes às Comunidades eclesiais, ou pela participação no seu serviço litúrgico. Tais celebrações preparam para a almejada comunhão plena incluindo a comunhão eucarística, mas não podem substituí-la.
          A Eucaristia é centro e vértice da vida da Igreja, é-o igualmente do ministério sacerdotal. Por isso “é a principal e central razão de ser do sacramento do Sacerdócio, que nasceu efetivamente no momento da instituição da Eucaristia e juntamente com ela”.
          “O sacrifício eucarístico permanece o centro e a raiz de toda a vida do presbítero”. Compreende-se, assim, quão importante seja para a sua vida espiritual e, depois, para o bem da Igreja e do mundo, que o sacerdote ponha em prática a recomendação conciliar de celebrar diariamente a Eucaristia, pois, “mesmo que não possa ter a presença dos fiéis, é ato de Cristo e da Igreja”. Deste modo, ele será capaz de vencer toda a dispersão ao longo do dia, encontrando no sacrifício eucarístico o verdadeiro centro da sua vida e do seu ministério, a energia espiritual necessária para enfrentar as diversas tarefas pastorais. Assim, os seus dias tornar-se-ão verdadeiramente eucarísticos.
          Da centralidade da Eucaristia deriva também a centralidade na pastoral em prol das vocações sacerdotais. A oração pelas vocações encontra nela o lugar de maior união com a oração de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote; constituem exemplo eficaz e estímulo para uma resposta generosa dos jovens ao apelo divino. Com freqüência, Ele serve-se do exemplo de zelosa caridade pastoral dum sacerdote para semear e fazer crescer no coração do jovem o germe da vocação ao sacerdócio.
          Tudo isto comprova o quanto é triste a situação duma comunidade cristã que não tem um sacerdote que a guie. Vale ainda destacar que os religiosos ou os leigos guiam também os seus irmãos e irmãs na oração, baseados na graça do Batismo. Essa prática, porém, deve ser considerada provisória, enquanto a comunidade espera um sacerdote.
          A falta de ministros ordenados deve levar a comunidade a rezar mais fervorosamente ao Senhor para que mande trabalhadores para a sua messe (cf. Mt 9, 38).
 

 
(continua na próxima semana)
Síntese: Rafael Uliano

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