ARDOR MISSIONÁRIO NO AMAZONAS

……….Um mês de missões no Amazonas, mais propriamente na Paróquia Nossa Senhora do Bom Socorro da cidade de Barreirinha, foi muito rico para conhecer e estar em contato com uma realidade bem diversa da que se vive no Sul de Santa Catarina, tanto no âmbito eclesial como nos demais.
……….A chegada em Manaus, capital do Estado, a ida para o interior utilizando-se dos diversos meios de locomoção: carro, avião, barco, voadeira (lancha rápida), rabeta (canoa com motor) foram experiências que deixaram marcas muito fortes.
……….De início, um choque cultural quanto à alimentação, despreocupação com horários… Só para dizer, algumas missas e outros compromissos chegaram a atrasar quase duas horas para ter seu início. Quando se fala em iniciar algo às 19h, por exemplo, o povo subentende que a partir desse horário devem começar sair de casa ou então, começar a “arrumar-se” para isso.
……….A experiência que mais exige, nesse campo missionário, é a visita às comunidades indígenas Satere-Mawé, por vários fatores: a locomoção acontece com 2h40 de voadeira, mais 1h40 de barco, 6h20 de rabeta… Em síntese, contando com as paradas para refeições, na maioria das vezes feitas à beira dos rios, se gasta em torno de 12horas no trajeto (que ainda não é o maior deles, nos limites desta paróquia). A alimentação é típica: farinha, peixe e arroz. O que chama atenção, porém, é que os índios, por força da modernização têm celulares que, se ao menos houvesse sinal de telefonia no local, poderiam até acessar a internet. Desse modo, utilizam os aparelhos apenas como câmera fotográfica. Hoje em dia, pelo menos esses índios, parecem não caçar mais, tanto é que compram até o peixe com o dinheiro que ganham mensalmente do Governo, de acordo com o número de filhos (bolsa família, escola…).
……….Os padres do PIME (Pontifício Instituto das Missões Exteriores), que começaram há vários anos o trabalho de evangelização nestas terras, são em sua maioria idosos, mas possuem uma força invejável. Não se cansam de viajar horas e horas para atender às comunidades… Quando nelas chegam, atendem confissões, orientam pessoas, celebram a eucaristia, jantam o que é preparado pela comunidade e, às vezes, dormem no barco, para que no dia seguinte sigam viagem rumo a outra comunidade. Cativante a figura do bispo local, Dom Juliano, que já foi pároco na Ponte do Maroim (Arquidiocese de Florianópolis): um exemplo de humildade e serviço.
……….Por fim, vale dizer que a presença de padres, religiosas e seminaristas brasileiros nesta região amazônica é muito importante, dado que o povo está acostumado com estrangeiros… Corrobora isso o fato que, desde que a Diocese de Tubarão iniciou o envio de alguns de seus seminaristas para Barreirinha, três moços decidiram entrar no seminário e duas moças entraram em comunidades de vida… Estes, querem ser missionários, ou seja, entendem que existem ainda lugares que precisam mais do que a própria pátria. Mas, esse despertar se deu com a presença de brasileiros por lá, haja vista que, no senso comum, ser padre ou religiosa é coisa de estrangeiro. A Igreja na Amazônia necessita de missionários, pois a messe é imensa.

Rafael Uliano

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: