Archive for the ‘Matrimônio’ Category

SEGUNDAS NÚPCIAS (II)

24/04/2015

segunda_uniaoO casal em segunda união distingue-se por procurar sinceramente percorrer um caminho de vida cristã, ou seja, procura amar a Deus em primeiro lugar. Não é aqui, objeto de reflexão uma pessoa que se separou ontem e vinculou-se hoje à outra, formando um casal em “segunda união”. É importante destacar que o conceito de casal em segunda união, em si, caracteriza-se especialmente pelo “casamento civil”.

Na encíclica Familiaris Consortio, em seu nº 82, embora a Igreja não admita o simples casamento civil para os fiéis batizados, o Papa João Paulo II, reconheceu a situação dos divorciados recasados civilmente como uma união diferente daquela dos simples conviventes, sem vínculo algum. O compromisso civil é também largamente aceito pela sociedade, é um vínculo jurídico com deveres de proteção para com o outro cônjuge e filhos. O cardeal Walter Kasper, vê no casamento civil uma consistência real, antropológica, ética e jurídica baseada numa autêntica vontade de casamento. É também opinião dele de que o casamento civil não é absolutamente concubinato, haja vista que possui valores humanos, como a amizade, o amor, a fidelidade, a obrigação de assistência mútua, e a possibilidade de fazer atos válidos diante da sociedade.

A proposta de Kasper, que será analisada pelo próximo Sínodo dos Bispos (outubro de 2014 e 2015) não se refere ao divórcio após a coabitação, mas aqueles que apenas contraíram um casamento civil. O Cardeal alemão propõe que, nesse caso, poderiam ser admitidos à Eucaristia, desde que atendendessem os requisitos posteriormente colocados. Mesmo que apenas civilmente, o casamento gera obrigações: respeito necessário, educação dos filhos na fé cristã, e vivo interesse em receber os sacramentos. Cardeal Kasper apresentou sua proposta como uma mera possibilidade, sem empurrar ou “forçar” com argumentos excessivos. Foi, como o Papa Francisco disse, um exemplo de “teologia serena” muito diferente da teologia dos outros vociferante “ou” permeada de “chantagem teológica”, que normalmente são abundantes sobre este tema.

Assim, considera-se que há uma realidade ambivalente a ser acolhida. Por um lado, é um momento que tem “muito de ‘poder das trevas’, mas que, por outro lado, deve ter muito mais, se acreditamos no Espírito, de ‘kairos do Reino’” no dizer de Pedro Casaldáliga.

Pe. Rafael Uliano

ALÔ NOIVOS E NOIVAS…

07/07/2014

         Alguns detalhes são importantes, para serem pensados, antes do casamento. Seguem algumas dicas para você que pensa casar-se na Igreja Católica Apostólica Romana.

A) “Em qual igreja deve acontecer a celebração do meu casamento? Com qual padre?” 

R: Preferencialmente, salvo raras exceções, numa igreja da paróquia de origem de um dos noivos. Procure marcar o casamento e não escolher este ou aquele padre. A experiência mostrou que isso não funciona… O padre que você escolheu, de uma hora para outra, poderá ser transferido e o padre que irá, para a paróquia, poderá já ter outro compromisso assumido para aquele dia e horário. Marque, portanto, o casamento e deixe o padre por conta da paróquia. Se você escolher um padre e ele não puder se fazer presente por algum motivo, a paróquia não tem responsabilidade de providenciar outro. Mas se a paróquia acolheu o seu processo matrimonial, para que o padre da paróquia o assista, daí sim o padre estará “garantido”.

B) Vamos combinar assim: Vocês, noivo e noiva, estarão em frente do altar, para iniciar a Celebração Sacramental do Matrimônio, na hora combinada – sem atrasos. Pode ser?

Com isso se supõe que todas as entradas (testemunhas, pais, daminhas, etc… – que não fazem parte do Rito Litúrgico) acontecerão previamente, de modo que se salvaguarde o horário do início daquilo que é mais importante: A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MATRIMÔNIO.

C) As velhas e conhecidas desculpas:

1. “Ahhh padre, foi no salão de beleza que atrasaram”.

Bom, querida e querido! Exijam horário certo nesses ambientes, caso vocês os utilizem, e estejam na hora marcada EM FRENTE DO ALTAR.

2. “Padre falta uma testemunha. Tá chegando!”.

A Igreja pede que estejam presentes duas testemunhas para que haja a Celebração. Se estiverem duas pessoas (além do padre/diácono e dos noivos na igreja), façam-se as devidas entradas (bem antes do início marcado – para a celebração não atrasar) e inicia-se tudo conforme pede o Rito Litúrgico.

3. “A cerimonialista disse que deveria ser assim”.

A Igreja tem Rito Litúrgico próprio. Logo, siga-se o que a Igreja indica! É indispensável procurar o padre/diácono que irá assistir o matrimônio (sim o ministro assiste um matrimônio – quem celebra são os noivos) com antecedência para combinar a celebração.

Um detalhe: arroz dentro ou na porta da igreja? Pra que? É casamento de chinês? E mais… Quem vai limpar a sujeira depois? Sem falar dos confetes, rosas, etc… No outro dia cedo haverá missa na igreja!

4. “Para música de entrada pensamos ‘My Heart Will Go On’ tema de Titanic”.

Onde já se viu? Celebrar algo tão sublime e elevado, como é o Sacramento do Matrimônio, com a trilha sonora de um filme que mostra um navio afundando? Parece não estar de acordo. Concorda? E mais: em inglês? Quantas pessoas vão entender? E mais ainda: na Igreja são cantadas músicas sacras e não profanas.

D) POR FIM… ATRASOS NUNCA SERÃO BEM VINDOS. PROPORCIONE UMA CELEBRAÇÃO LEVE, SIMPLES E DE ELEVADO SIGNIFICADO – DEMONSTRANDO A TODOS QUE O IMPORTANTE NAQUELE MOMENTO É REZAR.

E) E se for o padre a atrasar? Antes de reclamar, reflita: quantos moços você já incentivou para ser padre? Quantos seminaristas você já ajudou a formar de modo que se tenham mais padres? O padre além do seu casamento naquele dia, possivelmente rezou ou rezará missas (no interior, longe da igreja em que você vai se casar), fez algum enterro, batizou, foi chamado no hospital para dar a unção dos enfermos, atendeu confissões e talvez só tenha almoçado, rapidamente, pois participou de algum programa de rádio ao meio dia.

Pense nisso, antes da celebração do seu casamento. Quanto mais simples, mais bonito!

 

 Pe. Rafael Uliano