Posts Tagged ‘Casamento’

ALÔ NOIVOS E NOIVAS…

07/07/2014

         Alguns detalhes são importantes, para serem pensados, antes do casamento. Seguem algumas dicas para você que pensa casar-se na Igreja Católica Apostólica Romana.

A) “Em qual igreja deve acontecer a celebração do meu casamento? Com qual padre?” 

R: Preferencialmente, salvo raras exceções, numa igreja da paróquia de origem de um dos noivos. Procure marcar o casamento e não escolher este ou aquele padre. A experiência mostrou que isso não funciona… O padre que você escolheu, de uma hora para outra, poderá ser transferido e o padre que irá, para a paróquia, poderá já ter outro compromisso assumido para aquele dia e horário. Marque, portanto, o casamento e deixe o padre por conta da paróquia. Se você escolher um padre e ele não puder se fazer presente por algum motivo, a paróquia não tem responsabilidade de providenciar outro. Mas se a paróquia acolheu o seu processo matrimonial, para que o padre da paróquia o assista, daí sim o padre estará “garantido”.

B) Vamos combinar assim: Vocês, noivo e noiva, estarão em frente do altar, para iniciar a Celebração Sacramental do Matrimônio, na hora combinada – sem atrasos. Pode ser?

Com isso se supõe que todas as entradas (testemunhas, pais, daminhas, etc… – que não fazem parte do Rito Litúrgico) acontecerão previamente, de modo que se salvaguarde o horário do início daquilo que é mais importante: A CELEBRAÇÃO SACRAMENTAL DO MATRIMÔNIO.

C) As velhas e conhecidas desculpas:

1. “Ahhh padre, foi no salão de beleza que atrasaram”.

Bom, querida e querido! Exijam horário certo nesses ambientes, caso vocês os utilizem, e estejam na hora marcada EM FRENTE DO ALTAR.

2. “Padre falta uma testemunha. Tá chegando!”.

A Igreja pede que estejam presentes duas testemunhas para que haja a Celebração. Se estiverem duas pessoas (além do padre/diácono e dos noivos na igreja), façam-se as devidas entradas (bem antes do início marcado – para a celebração não atrasar) e inicia-se tudo conforme pede o Rito Litúrgico.

3. “A cerimonialista disse que deveria ser assim”.

A Igreja tem Rito Litúrgico próprio. Logo, siga-se o que a Igreja indica! É indispensável procurar o padre/diácono que irá assistir o matrimônio (sim o ministro assiste um matrimônio – quem celebra são os noivos) com antecedência para combinar a celebração.

Um detalhe: arroz dentro ou na porta da igreja? Pra que? É casamento de chinês? E mais… Quem vai limpar a sujeira depois? Sem falar dos confetes, rosas, etc… No outro dia cedo haverá missa na igreja!

4. “Para música de entrada pensamos ‘My Heart Will Go On’ tema de Titanic”.

Onde já se viu? Celebrar algo tão sublime e elevado, como é o Sacramento do Matrimônio, com a trilha sonora de um filme que mostra um navio afundando? Parece não estar de acordo. Concorda? E mais: em inglês? Quantas pessoas vão entender? E mais ainda: na Igreja são cantadas músicas sacras e não profanas.

D) POR FIM… ATRASOS NUNCA SERÃO BEM VINDOS. PROPORCIONE UMA CELEBRAÇÃO LEVE, SIMPLES E DE ELEVADO SIGNIFICADO – DEMONSTRANDO A TODOS QUE O IMPORTANTE NAQUELE MOMENTO É REZAR.

E) E se for o padre a atrasar? Antes de reclamar, reflita: quantos moços você já incentivou para ser padre? Quantos seminaristas você já ajudou a formar de modo que se tenham mais padres? O padre além do seu casamento naquele dia, possivelmente rezou ou rezará missas (no interior, longe da igreja em que você vai se casar), fez algum enterro, batizou, foi chamado no hospital para dar a unção dos enfermos, atendeu confissões e talvez só tenha almoçado, rapidamente, pois participou de algum programa de rádio ao meio dia.

Pense nisso, antes da celebração do seu casamento. Quanto mais simples, mais bonito!

 

 Pe. Rafael Uliano

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PENSAR O AMOR, A CASTIDADE E O CELIBATO

26/11/2010

               

A Esposa do Poeta - Arturo Martini

               Acompanhamos nos últimos anos, notícias que traziam à tona denúncias contra padres, bispos, religioso(a)s, pais de família, professores… As denúncias eram acusações que aos poucos foram pipocando mundo a fora, inclusive no Brasil.

                O papa Bento XVI, em sua Carta pastoral aos católicos da Irlanda, ressaltou que “o problema do abuso dos menores não é específico nem da Irlanda nem da Igreja”. A Igreja não nega em seu corpo essa chaga aberta; também não pode simplesmente deixar-se criticar de maneira infundada… A verdade deve ser evidenciada, e as inverdades denunciadas. Com essa intenção, foi divulgado no Jornal do Vaticano L’Osservatore Romano (25/03/2010) que “há uma tendência prevalecendo na mídia, de ignorar os fatos e fazer interpretações, com o objetivo de espalhar a imagem da Igreja Católica como a única responsável por abusos sexuais, algo que não corresponde à realidade”. E porque não corresponde à realidade? Procure por tantos outros dados disponíveis hoje na internet: existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas, 300 envolviam padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Trata-se de um único exemplo, mas a proporção é questionadora. Evidente que um só caso já seria gravíssimo. O problema é a generalização.

                Nossa intenção não é fazer uma análise de dados. A finalidade a que se quer chegar, parte do dado anteriormente citado, sim, de modo a discutir acerca da vivência da sexualidade humana em diversos aspectos: amor, castidade, celibato. São temas que não serão exaustivamente explorados, mas rapidamente refletidos. A pretensão é provocar uma reflexão posterior mais aprofundada.

 Amor

                Conversando-se, hoje, com pessoas idosas, ouvem-se relatos de que há algumas décadas o amor era de tal modo vivo que, aqueles que se amavam, chegavam a subir em árvores e muros para ver o amado. Não cabe aqui julgar se o amor hoje é melhor ou pior que o de outrora, mas dizer que hoje existe aquilo que se chama de “ruído” nas relações afetivas. Na modernidade, a questão é: fazer sexo ou ser feliz no exercício da sexualidade, num encontro amoroso? Há alguns anos, o amor romântico era incentivado, hoje é a banalidade dos corpos que fala mais alto. É muito perigoso acreditar que não é possível construir relações sexuais e afetivas duradouras. Talvez para muitos casais a vida hoje esteja chata, sem sentido, sem o elã que se possuía nos velhos tempos de namoro. A causa desse desencantamento pode estar relacionada com a infelicidade na vivência da sexualidade como um todo. É comum, nas rodas de amigos, conversar-se sobre sexo como sendo apenas um objeto a ser explorado. Um objeto que proporciona prazer e ponto final. Houve uma inversão de eixo, no tocante ao namoro com vistas ao matrimônio, passando à esfera do corpo como mercadoria. Na era dos descartáveis, lá se vão, corpos e corpos, para o lixo moral. O amor torna-se egoísta, individualista… Cadê o verdadeiro amor? Uma casa construída com cimento de péssima qualidade, certamente desabará… Um casamento contraído sem verdadeiro amor também não será duradouro. Amar é uma decisão: decidir-se por pensar no outro, antes mesmo de pensar em si próprio. Os relacionamentos descartáveis podem ser configurados como amor?

 Castidade

               É comum pensar: casto é aquele que não mantém relações sexuais. Não está errado, porém, o conceito é mais do que isso, pois todo casal é convidado a viver a castidade dentro do matrimônio. É possível? Sim. É fácil? Não. A carne é fragilíssima e viver a castidade exige muitas opções que por sua vez levam a renúncias, fazendo com que o pensamento primeiro seja sempre no cônjuge e não em si.

               A castidade não é apenas o não uso do órgão genital, mas é a consciência, a qualidade de relacionamentos entre um homem e uma mulher, capazes de uma sadia convivência. Uma vida casta é uma vida exemplar. A vivência sexual na vida de um casal, não é algo pecaminoso… É o ápice da vivência do amor-doação. O ato sexual é o meio pelo qual as pessoas colaboram com Deus em seu plano criador. A vida sexual do casal é bonita e importante para que marido e mulher se complementem e sejam felizes. O despreparo nesse campo leva muitos casais à separação, donde a necessidade da castidade matrimonial. Observando o sexo como puro meio de prazer, as dimensões unitiva e procriativa perdem todo o sentido.

               São Paulo diz: “Cumpra o marido o seu dever conjugal para com a esposa, e a esposa, do mesmo modo, para com o marido. Não é a mulher que dispõe de seu corpo, mas o seu marido. Do mesmo modo, não é o marido que dispõe de seu corpo, mas a sua mulher. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo e por algum tempo, para vos entregardes à oração. Voltai depois à convivência normal, para que Satanás não vos tente, por vossa falta de domínio próprio” (1 Cor 7,3-5).

               Na realidade dos padres ocidentais, estes não se casam não para conotar que o sacerdote não deve perder sua pureza (de novo a idéia de que o sexo é impuro, indecente, pecaminoso), mas com o celibato dos sacerdotes, afirma-se claramente a beleza que é a vida sexual entre homem e mulher. Ser casto, para os padres, é renunciar a este prazer, a esta beleza divina… A conseqüente renúncia da opção pelo celibato, só tem sentido quando se renuncia a algo que é muito bom. Afinal de contas, não optar por algo que não seja bom não se trataria de renúncia, mas de astúcia.

 Celibato

               O Celibato (do latim cælibatus significa “não casado”). Para os padres orientais a norma é que se opte pelo casamento ou celibato antes da ordenação.

               Nos últimos tempos, a Igreja católica ocidental (de rito latino) vem sofrendo algumas pressões para o fim, ou pelo menos a possibilidade de escolha do celibato, para o seu clero. Não pense você que esta mentalidade é uma luta pelo padre casado, simplesmente. O casamento supõe castidade cristã, supõe fidelidade, e isto também é complicado. A castidade não é difícil só para quem é celibatário; é um desafio para todos, inclusive para os casados. Um diálogo entre um jovem leigo e um padre jovem: “padre, não sei como você agüenta o celibato”, ao que o padre respondeu: “não sei como você agüenta a castidade no casamento, pois ela é dura e difícil”. Celibato é um carisma. Para se entender um carisma é necessário ter fé. A diminuição de candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa parece não girar em torno do celibato, mas sim, da falta de fé – que é a raiz do problema.

               Se o padre não tem uma mulher para amar, o que ele amará? A Deus, ao povo e o presbitério (amor aos padres e ao bispo). São os três lugares privilegiados nos quais o padre ama. Parece coisa de outro mundo? Parece impossível? Talvez sim, para quem não tem fé!

               O fato de o padre ocidental não ter filhos (paternidade carnal/física) não significa uma vida de infertilidade: essa opção pelo celibato no estrito sentido do termo, conseqüentemente de não ter filhos biológicos, significa uma verdadeira vida como sementeira fecunda da paternidade espiritual – que deve ser o foco central do ministro ordenado.

               É errado afirmar que a juventude atual não aprecie mais o celibato, a castidade… É apreciada e de modo muito especial quando essa vida de renúncias desemboca na prática e doação total às pessoas, principalmente para com os pobres. Disse a russa Catarina de Hueck Doherty (Fundadora do Apostolado Leigo Madonna House): “receio que a diminuição do número de moços que escolhem o sacerdócio aconteça por não verem testemunhos eloqüentes de amor e doação em seus próprios pastores”.

 

Rafael Uliano